Brasileiro é condenado a 12 anos por gerir esquema de lavagem de mais de US$ 30 milhões
Ygor Fokin Saviolli foi apontado como gerente da operação, que movimentava dinheiro ligado ao tráfico por meio de entregadores e depósitos bancários em várias cidades dos Estados Unidos.
Jornalista
Publicado em
Atualizado em
3 min de leitura
Neste artigo
Um brasileiro de 35 anos foi condenado a 12 anos de prisão nos Estados Unidos por atuar como gerente de uma organização que lavou mais de US$ 30 milhões em dinheiro ilícito, incluindo recursos do tráfico de drogas. Ygor Fokin Saviolli recebeu a sentença em um tribunal federal da Flórida em 16 de outubro.
Segundo os documentos do caso, Saviolli fornecia dinheiro inicial para viabilizar as operações e supervisionava o recebimento e a lavagem de grandes quantias em espécie. A organização recrutava entregadores nos Estados Unidos para recolher dinheiro proveniente da venda de drogas e depositá-lo em bancos. O objetivo era ocultar a origem dos valores e devolver os lucros, entre outros destinatários, a fornecedores de drogas que atuavam fora do país.
Entregas de dinheiro em várias cidades
Os deslocamentos incluíram cidades como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester e Tampa. Dezenas de coletas foram organizadas por conversas em grupos de WhatsApp, que reuniam facilitadores e entregadores. Ao longo da conspiração, o grupo ocultou mais de US$ 30 milhões em dinheiro.
Outros integrantes tinham funções diferentes. Gabriel Cezar Menezes, também brasileiro, foi descrito como facilitador: orientava e supervisionava entregadores e participou pessoalmente de várias coletas. Omar Aliperti De Mello Correa, cidadão americano, e os brasileiros Leandro De Avila Goncalves, Joao Andrade De Mello e Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa atuavam como entregadores, segundo os documentos judiciais.
Os seis réus se declararam culpados de conspiração para lavagem de dinheiro. Cinco deles receberam sentenças em setembro, entre 12 meses e um dia e 94 meses de prisão. Menezes recebeu a pena mais longa entre os co-réus sentenciados em setembro; Saviolli foi condenado posteriormente a 12 anos.
Como a investigação chegou às condenações
O caso foi investigado pelo FBI, com apoio da unidade da Administração de Repressão às Drogas em Rochester e de equipes de Homeland Security Investigations em Brasília e Miami. A investigação apurou a movimentação de dinheiro em diferentes estados e países e levou ao processo federal de número 25-cr-20545, no Distrito Sul da Flórida.
A acusação inicial foi apresentada em janeiro de 2026. Naquele momento, os réus ainda eram considerados inocentes perante a lei. A etapa seguinte foi a declaração de culpa dos seis envolvidos, aceita pelo tribunal em junho. Com a sentença de Saviolli, todos os integrantes do grupo receberam suas penas no processo.
O caso mostra como uma rede de lavagem pode operar sem depender de uma única agência ou de grandes transferências bancárias: dinheiro em espécie era recolhido em diferentes pontos, depositado em instituições financeiras e movimentado para ocultar sua procedência. Para as autoridades, atingir os responsáveis por esse fluxo financeiro é parte do esforço para interromper a estrutura que permite aos traficantes receber e reutilizar os lucros.
Documentos oficiais: sentença de Saviolli, declarações de culpa dos seis réus e acusação inicial e detalhes do processo.
Fonte:Departamento de Justiça dos Estados Unidos(abre em nova aba)




